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Empresa que barra o consumidor na porta está perdendo dinheiro

Falta conscientização dos empresários em relação à acessibilidade.

Publicado às 13:30 de 31/08/2026 ·︎ BandNews FM Curitiba

Imagine chegar a uma loja e descobrir que você não consegue entrar. Ou entrar e não conseguir circular pelos corredores. Precisar usar o banheiro e ver que uma cadeira de rodas não passa pela porta. Procurar uma informação e não encontrar nenhuma sinalização adequada. Ou ainda ser recebido por uma equipe que simplesmente não sabe como atender uma pessoa com deficiência.

Para mais de 18 milhões de brasileiros essas situações não são hipotéticas. Mas sim barreiras encontradas diariamente em lojas, restaurantes, hotéis, clínicas e outros estabelecimentos. E, quando uma empresa impede ou dificulta o acesso, não está apenas descumprindo uma obrigação legal: está afastando consumidores e até deixando de ganhar dinheiro.

No varejo, esse problema ganha uma dimensão ainda maior. Afinal, de que adianta investir em vitrine, marketing, experiência de compra e atendimento se uma parcela da população sequer consegue entrar ou circular com autonomia dentro da loja?

Eu conversei com a administradora e fundadora da Cavi Acessibilidade, Tatiana Moura, e ela me disse que a acessibilidade precisa deixar de ser vista como um detalhe, uma adaptação pontual ou uma despesa. Ela é direito, obrigação legal e também uma oportunidade de negócio. Segundo a empresária, qualquer estabelecimento que não oferece acessibilidade está impactando negativamente. E o problema vai muito além de perder uma venda. Quando uma empresa cria barreiras, ela também transmite ao consumidor a mensagem de que aquele espaço não foi pensado para ele.

A Lei Brasileira de Inclusão estabelece que edificações abertas ao público, de uso público ou privadas de uso coletivo devem ser acessíveis. Mas cumprir a legislação não significa simplesmente instalar uma rampa ou uma barra de apoio. Tatiana Moura me explicou que é preciso olhar para o percurso da pessoa como um todo, como ela chega, entra, circula, utiliza um banheiro, encontra uma informação e é atendida.

Está faltando uma maior conscientização dos empresários em relação à população com deficiência?

Sim! Aliás, Tatiana Moura que trabalha há 20 anos com acessibilidade arquitetônica e atitudinal, realizando diagnósticos, laudos, projetos, adequações e treinamentos, me contou que muitos empresários somente visualizam os consumidores sem deficiência e , por isso, o comércio de Curitiba está sob forte autuação.

Por fim, mais do que cumprir uma norma, empresas precisam entender que acessibilidade é criar condições para que todos possam consumir, trabalhar e participar. No fim das contas, uma empresa verdadeiramente inclusiva não pergunta quem consegue entrar. Ela se preocupa em garantir que todos possam entrar.

Matéria publicada pela redação da BandNews FM Curitiba em 31/08/2026 e reproduzida na íntegra nesta demonstração.

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